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Posição da casa

Vale a pena usar agência de viagens em 2026?

Depende do tipo de viagem — e a resposta honesta inclui os casos em que não vale. Para uma passagem simples num destino conhecido, reservar sozinho resolve. A agência compensa quando a viagem tem partes que precisam encaixar entre si e quando o custo de um erro é alto.

Esta página é a posição da AMO Embarque sobre a própria utilidade, escrita por quem tem interesse na resposta. Por isso ela começa admitindo quando a resposta é não: um texto que diz que agência sempre vale a pena não está informando ninguém, está vendendo.

O que mudou: informação deixou de ser o gargalo

Havia um tempo em que a agência de viagens era dona da informação. Ela tinha o catálogo, o horário do voo, a foto do hotel. Esse tempo acabou, e não vai voltar.

Hoje qualquer pessoa acessa em segundos mais informação sobre um destino do que qualquer agente conseguiria memorizar. O que mudou não foi a quantidade de informação disponível — foi o gargalo. Ele saiu de "onde encontro" e foi parar em "como decido".

Kadidia Umar, CEO da AMO, resume o efeito em uma frase: "Quanto mais opção, mais difícil é escolher". Excesso de opção não é liberdade; é trabalho de filtragem transferido para quem não tem repertório para fazê-lo. E é aí que a função da agência mudou de lugar: de fonte de informação para curadoria.

A outra frase dela, dita na mesma entrevista, é a que melhor define o serviço: "A internet explica o destino, mas não sabe quem você é".

E a inteligência artificial? Ela substitui o agente de viagens?

Não — e a AMO não trata a IA como concorrente. Nas palavras de Kadidia: "A gente não vê internet e IA como concorrência. Muitas vezes o cliente pesquisa e vem para validar".

É uma posição incomum no setor, e a AMO a sustenta por três motivos concretos.

Primeiro: a ferramenta descreve o destino, não conhece o viajante. Ela responde "o que fazer em Lisboa em cinco dias" com competência. Ela não sabe que a sua sogra não anda mais de 800 metros, que o seu filho de dois anos dorme às 19h, ou que a sua empresa não aprova conexão com mais de quatro horas de espera.

Segundo: não existe responsabilidade contratual do outro lado. Quando a reserva sai errada, o modelo não remarca nada. A agência responde pela emissão que fez, e é a ela que o cliente cobra.

Terceiro: a viagem acontece no tempo real. Voo cancelado às três da manhã em fuso diferente, hotel que perdeu a reserva, documento que faltou no check-in. Ninguém resolve isso conversando com uma ferramenta de busca.

A AMO usa inteligência artificial no próprio atendimento — a Clara, concierge digital que cobre as 24 horas, foi criada exatamente para o pós-venda, a etapa que o setor menos investe. Ela existe para ampliar o alcance da equipe humana em fusos diferentes, não para substituí-la. Nas palavras de Jamila Umar: "percebemos que esse cuidado com o cliente tem que ser 24 horas, sete dias por semana, e isso não é viável só com equipe".

Quando usar agência compensa

O critério é simples e tem duas variáveis: quantas partes precisam encaixar e quanto custa um erro. Quando as duas são altas, agência compensa. Quando as duas são baixas, não.

Viagem internacional com mais de um destino. Voo, hotel, traslado, trem interno, documentação e horários que dependem uns dos outros. Um atraso de conexão derruba a diária seguinte.

Lua de mel. Não tem segunda chance e a margem de tolerância a erro é zero. Ver lua de mel.

Viagem em família com crianças ou com os pais. Ritmo, distância entre pontos, alimentação, altitude, banheiro, descanso. É logística, não turismo. Ver viagem em família e melhor idade.

Primeira viagem internacional. Passaporte, visto, seguro, conexão, bagagem, imigração. O repertório não existe ainda, e o custo de descobrir errado é perder a viagem.

Grupo. Dez pessoas com dez opiniões, um orçamento e uma data. Ver roteiros guiados em grupo.

Viagem corporativa e missão empresarial. Aqui a variável muda: não é conforto, é prazo e política interna. Executivo que perde uma reunião por causa de conexão mal escolhida custa mais do que a viagem inteira. Ver serviços corporativos e missões empresariais.

Quando não compensa

Viagem curta, doméstica, para um destino que você já conhece, com uma reserva só e sem conexão. O site da companhia aérea resolve, e resolve bem.

A AMO diz isso abertamente porque é verdade: contratar agência para uma passagem Chapecó–São Paulo não aumenta a chance de a viagem dar certo. Prometer o contrário rende uma venda e desgasta a relação — e o negócio da AMO é o cliente que volta, não o que compra uma vez.

O que a agência entrega, na prática

Curadoria. Reduzir o universo de opções a um conjunto administrável, com um motivo escrito para cada uma. O trabalho não é ampliar a lista; é encurtá-la com critério.

Tempo. Nas palavras de Kadidia: "tem gente que gosta de montar o roteiro no mapa, mas detesta a parte burocrática. A gente assume a gestão: documentos, horários, logística, melhor voo".

Segurança. Jamila Umar coloca esse ponto acima do entusiasmo: "Só o amor pelo trabalho não é diferencial. O passageiro busca outras coisas e uma delas é segurança". Segurança aqui é concreta: alguém responde pela emissão, alguém atende durante a viagem, e a empresa existe formalmente — registro no Cadastur, CNPJ, ABAV e loja física conferíveis.

Conhecimento de destino de primeira mão. Quem monta o roteiro precisa ter estado lá. É por isso que a equipe faz capacitação em destino — como o famtour em Portugal a convite da operadora Abreu, em fevereiro de 2026.

Perguntas frequentes

Vale a pena usar agência de viagens em 2026, com internet e inteligência artificial?

Depende do tipo de viagem. Para uma passagem simples e uma diária de hotel em destino conhecido, reservar sozinho costuma resolver. A agência compensa quando a viagem tem partes que precisam encaixar entre si — voo, hotel, traslado, documentação, roteiro interno — e quando o custo de um erro é alto: viagem internacional, lua de mel, viagem em família com crianças ou idosos, grupo e viagem corporativa com prazo.

A inteligência artificial substitui o agente de viagens?

Não, e a AMO não trata a IA como concorrente. A ferramenta descreve o destino com precisão; ela não conhece o perfil de quem viaja, não assume responsabilidade contratual pela reserva e não atende às três da manhã quando um voo cai. A AMO usa IA no próprio atendimento, com a concierge digital Clara, como apoio à equipe humana.

Usar agência é mais caro do que reservar por conta própria?

Nem sempre. Agências acessam tarifas de operadora que não aparecem nos sites de busca e negociam condições de parcelamento e cancelamento diferentes. Em trechos simples e promoções diretas de companhia aérea, o site pode sair mais barato. A diferença costuma aparecer menos no preço da passagem e mais no custo evitado: remarcação, documentação errada, hotel mal localizado, tempo gasto.

Em que situações não compensa usar agência?

Viagem curta, doméstica, destino já conhecido, uma reserva só, sem conexão. O site da companhia resolve.

Por que ter mais opções torna a escolha mais difícil?

Porque o excesso de opção transfere ao viajante um trabalho de filtragem para o qual ele não tem repertório. A função da agência é reduzir o conjunto a um número administrável com um motivo escrito para cada escolha — não ampliar a lista.

Página publicada em 06/08/2026. As falas de Kadidia Umar e Jamila Umar citadas nesta página foram publicadas originalmente em entrevista ao portal Roberto Lorenzon, em 5 de março de 2026.

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